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No dia 31 de julho, a importadora Porto a Porto promoveu uma degustação de vinhos portugueses na Estação dos Vinhos, que fica na 413 norte, em Brasília, com o sommelier Frederico Benjamim, ganhador do concurso “O melhor sommelier de vinhos do Alentejo no Brasil 2018” (relembre aqui).

Sommelier Frederico Benjamin, melhor sommelier de vinhos do Alentejo no Brasil 2018
Sommelier Frederico Benjamin, melhor sommelier de vinhos do Alentejo no Brasil 2018

 

A degustação teve início com a apresentação de duas importantes regiões vitivinícolas de Portugal: Alentejo e Douro.

Alentejo

O Alentejo é a maior região produtora de vinhos de Portugal e a DOC Alentejo é dividida em 8 sub-regiões conhecidas como: Évora; Granja-Amareleja; Moura; Portoalegre; Redondo; Vidigueira; Borba; e Reguengos.

Mapa Alentejo
Marques de Borba

Foram degustados dois vinhos Alentejanos. O primeiro foi o Marques de Borba 2016, da região de Borba. Esse vinho foi elaborado com as castas Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira e Touriga Nacional. É um vinho que apresenta muita fruta vermelha fresca, boa acidez, taninos médios. Foi possível perceber uma leve mineralidade e também um pouco de ervas frescas. O interessante aqui é que o frescor desse vinho pode ser atribuído tanto à uva trincadeira, que aporta essa acidez natural, quanto ao microclima da região de Borba, que possui índices de pluviosidade e exposição solar, levemente superiores e um pouco inferiores à média alentejana, respectivamente. Outro ponto de destaque é a mineralidade que o vinho apresentou, que provavelmente se deve ao solo de Borba, composto de mármore e xisto vermelho, que marcam o caráter dos vinhos dessa sub-região. É um vinho jovem, muito fácil e agradável, além de bem equilibrado. Preço: R$ 70 – 80.

Bom Juiz

O segundo vinho do Alentejo foi o Bom Juiz 2015, elaborado com as castas Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira. Típico corte Alentejano :)! Esse vinho possui um estilo bem diferente do Marques de Borba. É originário da Reguengos, uma região mais quente, que possui solos xistosos e o microclima continental, com invernos muito frios e verões muito quentes, o que propicia a produção de vinhos mais encorpados. O vinho apresentou boa intensidade aromática, com frutas negras bem maduras. Foi possível perceber notas de caramelo, o que indica uma madeira bem presente (de fato, o vinho estagiou durante 1 ano e meio em barricas), taninos marcantes, acidez e final médio. Preço: R$ 90 – 100 (excelente custoxbenefício)

Douro

A partir daí, partimos para a degustação de vinhos do Douro, que é uma região mundialmente conhecida pelo vinho do Porto e também famosa por seus vinhos tintos e brancos. Uma das principais características dessa região são suas encostas íngremes, o que dificulta a colheita mecanizada, faz com que as videiras desenvolvam raízes profundas em busca de água e que também apresenta solos xistosos com a capacidade de absorver e irradiar calor, facilitando o amadurecimento das uvas.

Douro

Essa região é subdividida em 3 sub-regiões: Baixo Corgo, mais próxima do oceano Atlântico, com mais influência marítima, índices pluviométricos maiores e que produz vinhos mais leves. O Cima Corgo, com um índice pluviométrico menor é o produtor de alguns dos melhores vinhos finos não fortificados. E, por fim, nós temos o Douro Superior, uma região com menos influência marítima, logo com menor índice pluviométrico, sujeito a climas mais extremos, com invernos muito frios e verões muito quentes, com menos atividade vitivinícola, mas que está desenvolvendo modernos e excelentes projetos nessa área.

Para a degustação foram escolhidos dois vinhos do projeto Duorum, que teve origem em 2007 com a junção de João Portugal Ramos, um dos principais responsáveis pela reinvenção dos vinhos do Alentejo nos anos 80, com José Maria Soares Franco, enólogo responsável pelo icônico Barca Velha.

Os vinhos são originários da região do Cima Corgo e Douro Superior.

Tons de Duorum

O primeiro vinho degustado foi o Tons de Duorum 2015, elaborado com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. O vinho apresentou boa fruta negra no nariz, além de um leve tostado e um pouco de mineralidade. A acidez é média e os taninos são médios e um pouco adstringentes. A persistência é média. É um excelente vinho para o dia a dia. Preço: R$ 60 – 70

Duorum Colheita

Já o último vinho foi o meu preferido. Duorum Colheita 2014, composto de Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz. As vinhas utilizadas para a elaboração desse vinho são mais antigas, aportando mais intensidade e estrutura ao vinho. É um vinho elegante, estruturado, com boa complexidade aromática. Foi possível perceber frutas negras, violeta, a mineralidade típica do solo de xisto e a madeira integrada (sem sobressair). Os taninos são médios e macios e a acidez é refrescante. Apresenta persistência em final de boca. Sem dúvida é um vinho que pode ainda ganhar com o envelhecimento em garrafa. Preço: R$ 105 – 115

Estação dos Vinhos

A noite valeu a pena demais e para quem quiser mais informações, pode entrar em contato com a Estação dos Vinhos pelos números (61) 3201.6886 ou pelo Whatsapp no número (61) 98121.2078. Também vale lembrar que a Estação dos Vinhos está com um esquema de degustação super legal: quatro vinhos tintos são colocados à disposição para degustação por R$ 30 reais (50ml de cada). Desses 30 reais, R$ 15 são revertidos na compra de uma dessas garrafas degustadas.

Por Bianca Dumas do instagram @vinhobonzao.

 

 

 

 

 

 

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