.

Para quem é fã do Pêra-Manca tinto, uma excelente novidade: enfim foi lançada a mais recente safra do vinho, a 2013. Ícone da Fundação Eugénio de Almeida (FEA), esse vinho alentejano somente é produzido em safras muito especiais. Para se ter uma ideia, desde o lançamento até hoje, foram apenas 14: 1990, 1991, 1994, 1995, 1997, 1998, 2001, 2003, 2005, 2007, 2008, 2010, 2011 e 2013. Número justificado pelo elevado grau de exigência na seleção das colheitas para produção do rótulo.

Eu e o presidente da FEA, José Mateus Ginó (à dir.) e o enólogo da vinícola, Pedro Baptista (à esq.)

Quem esteve em Brasília para o lançamento do vinho, foi o presidente da FEA, José Mateus Ginó, e o enólogo da vinícola, Pedro Baptista (foto). O evento, organizado pela Adega Alentejana, que importa o Pêra-Manca para o Brasil, aconteceu no restaurante Bloco C e reuniu alguns jornalistas e convidados especiais. Tive a oportunidade de  participar deste momento especial, representando o Blog Vinho Tinto.

Segundo o presidente da FEA, o Brasil foi escolhido para sediar o lançamento mundial do vinho, antes mesmo até de Portugal, por conta do respeito que a Fundação tem pelos consumidores brasileiros. “O Brasil é um mercado muito importante para nós e, por isso, merece uma atenção especial”, explicou.

Sobre o Pêra-Manca Tinto

Pêra-Manca: resultado da união das castas Trincadeira (55%) e Aragonêz (45%),

O Pêra-Manca é sempre um corte resultante da união das castas Trincadeira (55%) e Aragonêz (45%), cuja vindima é feita de maneira criteriosa com uvas apanhadas à mão. A fermentação acontece em depósitos de carvalho francês e, antes da realização do corte final, as uvas estagiam entre 18 e 24 meses em tonéis de carvalho de 3mil e 5mil litros. Para o enólogo Pedro Baptista, o Pêra-Manca é uma expressão natural do terroir de 17 hectares onde estão plantadas as vinhas. “Todos os anos, nós sabemos onde queremos chegar. O desafio é conseguir chegar até lá”, ressaltou ao justificar que nem toda safra é propícia para se produzir o Pêra-Manca.

Para evitar fraudes, uma vez que o vinho é cobiçado internacionalmente,  a FEA criou um selo de autenticidade que consiste em um código único, associado à uma imagem holográfica incorporada na cápsula da garrafa, que pode ser validado no site da marca.

Notas de degustação Pêra-Manca 2013

Pêra-Manca 2013: vinho promissor

O exemplar 2013 é um “vinhaço”. Durante a degustação, houve quem falasse “ser um dos mais promissores dos últimos tempos”, o que acredito. Por estar muito jovem, ainda apresenta taninos bem marcantes, embora educados. Possivelmente dentro de cinco anos estará muito melhor para ser apreciado. É um vinho com frutas vermelhas muito intensas, notas de especiarias, toques levemente terrosos e um pouquinho de menta. É fresco com acidez pronunciada. Inicialmente possui mais boca que nariz, mas depois que respira na taça é possível notar o quão marcante é sua complexidade.  É  bem intenso e possui um final de boca extremamente persistente. Detalhe importante: foram produzidas apenas 19.500 garrafas que devem chegar ao consumidor final com o preço médio de R$1800,00.

Outros vinhos

Pêra-Manca branco 2013: elegante e intenso

Durante o evento, foram degustados outros vinhos produzidos pela FEA: Cartuxa Branco Colheita 2016, Pêra-Manca Branco 2013, EA Tinto Reserva 2013 e Cartuxa Tinto Colheita 2014. Dentre esses, meu destaque vai para o Pêra-Manca Branco 2013, feito com as castas Antão Vaz (70%) e Arinto (30%), esse vinho fermenta em barris de carvalho e, por isso, apresenta uma untuosidade marcante. É, ao mesmo tempo, elegante e intenso. Possui notas cítricas, um toque de pão grelhado  e notas de manteiga, tanto no nariz como na boca, e um frescor bastante pronunciado.

Comentários

comentários

Close