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Muscat de Frontignan colhidas tardiamente para produzir o aclamado “Vin de Constance”

A África do Sul é um país incrível e, sem dúvidas, é um excelente destino para quem ama a natureza, a boa mesa e os vinhos. Após uma experiência de 13 dias na cidade de Cape Town e arredores, pude visitar muitas vinícolas, restaurantes e, claro, degustar inúmeros vinhos sensacionais. Nesse post vou compartilhar com vocês a lista de alguns dos que mais me chamaram a atenção – são vinhos de diversas faixas de preço e de estilos diferenciados, mas que possuem algo em comum: são deliciosamente bem feitos! Infelizmente, pouquíssimos desses vinhos são comercializados no Brasil, mas, por sorte, a maior parte pode ser encontrada com facilidade nos restaurantes, lojas e supermercados de Cape Town e Stellenbosch a preços bem interessantes. Se for a África do Sul (leia mais dicas aqui) não deixe de apreciá-los. Confira:

“Vin de Constance” 2015, da Klein Constatia

Uma mistura de mel, frutas cítricas, frutas confitadas e caramelo com um balanço perfeito entre acidez e doçura. Esse vinho de sobremesa, feito por meio da colheita tardia de Muscat de Frontignan, é realmente excepcional – não é à toa que é considerado um dos brancos doces mais emblemáticos do planeta. É um forte concorrente para os venerados Chateau d’Yquem e Tokaji. Uma curiosidade: esse vinho foi muito popular nos séculos XVIII e XIX, na Europa, onde foi apreciado por celebridades como Napoleão Bonaparte, Alexandre Dumas e Baudelaire.  Por conta da filoxera, desapareceu no final do séc. XIX. Apenas na década de 90 foi retomada sua produção pela Klein Constantia. É um vinho que, sem dúvidas, deve entrar na lista de qualquer enófilo como meta para ser degustado nessa encarnação!!!!! Preço médio  US$100.

Capriole MCC 2016, da Cavalli Wine Estate

Capriole Methode Cape Classique

Elaborado 100% com a Chardonnay. Para quem não sabe, MCC significa Methode Cape Classique e é o espumante produzido na África do Sul pelo método tradicional, ou seja, com a segunda fermentação feita na própria garrafa, como em Champagne. Esse da Cavalli ficou dois anos em contato com as borras. É fresco e bem frutado. Tem perlage fina e abundante. No nariz tem notas de frutas brancas de caroço e leveduras. Na boca, lembra melão, pêssego e brioche. Possui boa acidez, ótima cremosidade e persistência. Amei! Detalhe custa apenas 200 rands, ou seja, R$50,00!!!!

Eikendal Infused by Earth Chardonnay 2016, da Eikendal Wine Estate

Eikendal Infused by Earth Chardonnay 2016

(Vinho de 550 rands, algo em torno de R$138,00). Esse branco me deixou de boquiaberta. É ma-ra-vi-lho-so! Considerado um vinho ultra-premium por seus produtores, é proveniente de uvas plantadas em solos de granito e amadurece 16 meses em barricas de carvalho sem tosta (60%). É elegante e intenso ao mesmo tempo. Tem uma acidez intensa. No nariz possui toques cítricos, mel, pera e leveduras. Na boca é macio e fresco com toques florais, minerais, de mel e leveduras. Excelente persistência. Altamente complexo.

Asara Bell Tower 2012, da Asara Wine Estate

Asara
Asara Tower Bell

Um Bordeaux blend feito com Cabernet Sauvignon (52%), Merlot (20%), Cabernet Franc (11%), Malbec (10%), Petit Verdot (7%). Ele custa cerca de 400 rands (R$100), e é simplesmente incrível! Até hoje só foram feitas as safras 2011 e 2012. Com sete anos de vida, eu arrisco que esse vinho ainda tem pelo menos mais uns dez aninhos pela frente. É muito elegante; no nariz, tem notas marcantes de frutas negras e grafite; na boca, apresenta toques de mirtilo e notas leves de cedro e charuto. Tem acidez média alta, longa intensidade no retrogosto e taninos redondos. 

Syrah Circumstance, da Waterkloof

Syrah Circumstance

 É, na verdade, um vinho com grande expressão de frutas negras e toques terrosos. Um Syrah estilo Rhône com típicas notas de pimenta preta e outras especiarias no nariz, completadas por ameixas. Na boca, tem uma acidez marcante e um tanino aveludado com notas minerais de pedra e um final longo e persistente. É elegante. Esse vinho foi feito com uvas provenientes de solos cultivados com adubos e preparações biodinâmicas e arados por cavalos de forma a garantir um solo solto e com mais vida. Experimentei o da safra 2015 (197 rands, cerca de R$68,00).

Kanonkop Pinotage 2009, da Kanonkop

Kanonkop Pinotage

 (580 rands, cerca de R$145,00) – É um Pinotage sensacional, considerado um dos melhores da África do Sul por vários especialistas. É produzido com uvas de vinhedos de 30 a 60 anos. É intenso e incrivelmente persistente. Muito diferente de vários Pinotages simples que chegam ao Brasil – geralmente mais rústicos e com leves toques de borracha queimada. Esse, na verdade, é complexo e potente com intensas notas de frutas negras e vermelhas, misturadas a notas terrosas e chão florestal. Na boca já mostra algumas ligeiras notas de evolução. Uma acidez média alta aliada à boa persistência e taninos firmes. Enfim! Um vinho sensacional e perfeito para encerrar com chave de ouro a minha visita às maravilhosas vinícolas de Stellenbosch. (Esse vinho é trazido pelo Brasil pela Mistral)

Chenin Blanc 2016 Anima, da Avondale

Anima Chenin Blanc

A Chenin Blanc é uma uva nativa do Vale do Loire, na França, é bastante versátil e se adaptou muito bem na África do Sul. No entanto, nem todos os vinhos produzidos com essa uva por lá são tão memoráveis como esse Chenin Blanc Anima. A cor do vinho já atrai com seu amarelo-dourado intenso, não resultado do tempo, mas da fermentação dos cachos inteiros das uvas em ânforas (20%) e da maturação em barricas de carvalho francês de 500 litros. Esse vinho possui uma complexidade excepcional no nariz e apresenta notas intensas de mel, misturadas com toques de pedra de isqueiro, toques de melão, pera e pêssego. Na boca, tem uma envolvente maciez ácida com muito volume sem ser enjoativo. Uma persistência incrível com muito mel no fim de boca. Em síntese é um vinho mineral, persistente, elegante e fino. Preço: 260 rands, em média R$90,00.

Bloemcool Tinto Fino 2015, da Fairview Wine and Cheese

Bloemcool

Esse vinho é feito à base da Tinto Fino, também conhecida como Tempranilo e custa cerca de 440 rands ou R$110. Pôde ser apreciado acompanhando variados queijos de cabra produzidos e vendidos na própria vinícola. Com menos de 3mil garrafas produzidas, é uma verdadeira raridade. Tem uma bela cor rubi brilhante e no nariz exibe notas intensas de frutas silvestres, embutidos e leves toques de baunilha. Na boca tem um tanino macio, um bom corpo e uma persistência razoável. Sem dúvidas, um delicioso sul-africano com alma espanhola!

Miko Red 2010, da Mont Rochelle Winery

Miko Red

Um blend de Syrah e Cabernet Sauvignon que entrou diretamente para minha lista dos melhores tintos que degustei na África do Sul. É um vinho extremamente complexo que seduz logo na cor – um rubi brilhante com notas violáceas que revelam que ainda tem um bom tempo de vida. No nariz apresenta notas de frutas negras, especiarias, pimenta e charuto mescladas com frutas negras frescas. Na boca é potente e envolvente, mas extremamente elegante. Tem taninos presentes, mas macios, e uma longa persistência. Um verdadeiro achado produzido em pequena escala.  Custa cerca de 500 rands ou R$160,00. Os Miko Reds são produzidos apenas em safras excepcionais e têm intervenção mínima na adega a fim de garantirem expressão final do terroir de Mont Rochelle.

Big G Holden Manz 2014, da Holden Manz Wine Estate

Big G Holden Manz

Elaborado para homenagear o dono da vinícola, Gerard Holden. É um “Bordeaux Blend” de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, que descansa (70%) 24 meses em barricas de carvalho francesas. É um vinho de guarda de cor rubi e com sedutores aromas de alcaçuz, cerejas negras, ameixas e notas de cedro. É encorpado e tem 15% de álcool. Possui taninos firmes e um final de boca persistente mostrando frutas pretas e notas de chocolate. Um vinho bem elaborado que mostra o potencial do Novo Mundo. Ideal para amantes de vinhos mais potentes. Custa 275 rands ou R$70,00.

Rust en Vrede Estate 2015, da Rust en Vrede Winery

Rust en Vrede Estate

Excelente vinho de uma das primeiras vinícolas da África do Sul a receber o prêmio Top 100 tanto de melhor restaurante como de melhor vinícola. É um blend de Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot. Vinho extremamente equilibrado: acidez perfeita, taninos redondos e aveludados, excelente estrutura e persistência. Notas de alcaçuz, mirtilo, ameixas e violetas. Maravilhoso para ser apreciado hoje mas também daqui a 10 anos ou mais. O preço é excelente.

Kleine Zalze Shiraz Vineyard Selection, 2016, da Kleine Zalze Vineyard

Kleine Zalze Shiraz

Delícia de vinho que apreciei após indicação de um sommelier em um restaurante de Stellenbosch. É um vinho intenso tanto no nariz como na boca. Foi maturado por 18 meses em barricas de carvalho francês de primeiro, segundo e terceiro que foram misturadas após o estágio para formar o corte. Os aromas de frutas negras com notas de pimenta e frutos silvestres são bem intensos. Na boca também é possível notar notas de chocolate amargo. Tem uma longa persistência, excelente estrutura e taninos macios.

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