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Estudo mostra: cascas de camarão podem conservar  vinhos, em substituição aos polêmicos sulfitos.

As cascas do camarão são a promessa de uma nova fórmula para conservar vinhos sem fazer uso dos chamados sulfitos, tão polêmicos na história do vinho.  Necessária para garantir o consumo, a conservação é um fator importantíssimo para permitir que a bebida chegue às nossas mesas sem perder a qualidade, e, graças a pesquisadores da Universidade de Aveiro (UA), em Portugal, é possível que em breve possamos realizar o procedimento de forma natural e não mais dependente dos químicos com base nos sulfitos.

O estudo realizado pelos cientistas da UA consistiu basicamente em adicionar um polímero chamado quitosana no processo de produção do vinho. O composto estaria presente em extratos de casca de camarão e caranguejo, e o método preserva as características da bebida relacionadas ao sabor e ao aroma. A ideia também foi testada em vinagres, sumos e infusões, obtendo igual sucesso.

Segundo um dos pesquisadores, Manuel Coimbra, em entrevista ao RTP Notícias, destacou que o pontapé inicial para as pesquisas se deram a pedido de uma empresa portuguesa (Dão Sul – Sociedade Vitivinícola) que, preocupada com o grande número de pessoas alérgicas aos sulfitos, queriam alternativa para os químicos. Dessa parceria, resultou, a título experimental, três mil litros de vinho branco e 300 litros de vinho tinto livres de conservantes.

O novo uso para as cascas de camarão também é interessante para conter o desperdício desta parte do animal, que também apresenta vários outros potenciais e cujo descarte despreocupado no meio ambiente pode trazer prejuízos. E pra quem se pergunta se os alérgicos ao marisco não poderiam tomar o vinho conservado a partir dele, a boa notícia é que os cientistas também afastam o perigo de alergia para esses casos.

Particularmente, achei bem bacana a notícia, pois essa questão da presença de sulfitos no vinho é mesmo muito polêmica. No entanto, por enquanto, temos apenas estudos. A novidade ainda não tem prazo para chegar ao mercado, e depende da aprovação da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Vou ficar de olho para descobrir mais informações sobre o assunto e compartilhar com vocês aqui no blog.

 

Pesquisadores Manuel Coimbra, Ana Tasso Rosa e Cláudia Nunes. Foto: Universidade de Aveiro

Nas Cascas de camarão

Mesmo para os mais temerosos quanto a preservação das características próprias da bebida, especialmente em relação ao odor, já que os mariscos possuem um cheiro forte e peculiar, o pesquisador destaca que a questão depende da refinação. “O que acontece às cascas do camarão é que estas são tratadas com um reagente alcalino forte e depois com um reagente ácido muito forte. E com este processo remove-se todas as proteínas, onde estão todos esses odores”, contou Coimbra ao RTP Notícias.

quitosana encontrada na casca dos crustáceos como o camarão e o caranguejo é uma fonte de fibras, e acredita-se que tenha capacidade de se ligar as células de gordura e colesterol, bloqueando-as antes de serem absorvidas pelo organismo, o que também a torna uma suplementação procurada por pessoas que desejam emagrecer.  É um polissacarídeo comum ao exoesqueleto dos crustáceos, e de acordo com o artigo “Aplicações Nutricionais da Quitosana: Uma breve revisão”, é o segundo mais abundante na natureza, atrás apenas da celulose encontrada principalmente nas plantas.

Que tal conferir a íntegra da entrevista em áudio do RTP com os pesquisadores Manuel Coimbra e Cláudia Nunes? Então clique aqui!

 

 

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