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Tentar perder peso cortando o vinho, o queijo e o chocolate da nossa alimentação pode não ser a melhor forma de alcançar esse objetivo. Foto: Pixabay.

Ao pensar em perda de peso, talvez as primeiras coisas que consideramos cortar no dia a dia são aquelas que geralmente mais gostamos de comer, como queijos e chocolates, por exemplo. Procuramos também evitar o vinho e reduzir a nossa alimentação a tudo aquilo que seja taxado como leve, livre de gorduras, livre de “culpa”. Entretanto, para o professor e cientista Tim Spector, da King’s College London, se seguirmos com esse pensamento, provavelmente teremos mais dificuldade do que facilidade para perder o peso.

Tim Spector é autor do livro The Diet Myth: The Real Science Behind What We Eat (O Mito da Dieta: a ciência real por trás do que nós comemos, “tradução livre”), e, ao contrário, do que muita gente espera ouvir quando pretende emagrecer, o professor recomenda que devemos nos alimentar de todas essas coisas (chocolate, vinho, café e queijo) para conseguir ter um resultado eficiente. O motivo? A incrível diversidade e quantidade de micróbios que podem viver, de certa forma, em harmonia com o nosso organismo.

Capa do livro The Diet Myth: The Real Science Behind What We Eat, de Tim Spector. Foto: Tim-Spector.

Peso e ciência

Para Tim Spector, As “dietas da moda”, ou que envolvem um controle pedante de calorias, ou mesmo que reduzam o cardápio a um grupo de alimentos, na verdade não ajudam as pessoas a perderem peso. “É menos provável que a pessoa vá emagrecer controlando calorias, por que estudos mostram que as calorias de um tipo de alimento terão um efeito sobre o peso completamente diferente das calorias de outra comida”, explicou ao The Independent (jornal britânico). Para ele, as dietas mais procuradas muitas vezes falham por que ignoram o papel vital que os micróbios do nosso corpo desempenham.

Segundo o cientista, uma boa forma de emagrecer e melhorar a saúde é variando os alimentos na dieta, pois estaríamos aumentando também a diversidade de micróbios em nosso organismo. De acordo com Tim Spector, o problema de se alimentar da “Junk food” não está exatamente na gordura e no açúcar desses alimentos, mas sim na falta de ingredientes, uma vez o que o processamento “empobrece” a comida.

Emagrecendo com vinho e chocolate

Para tornar ainda mais eficiente o processo, o ideal é que se procure alimentos que promovam bem a reprodução e o crescimento de boas bactérias no intestino. Vinho, café e chocolate definitivamente estão na lista de bons alimentos nesse quesito, por que todos os três possuem polifenóis, que são antioxidantes responsáveis por alimentar e ajudar na reprodução dos micróbios intestinais.

O vinho está definitivamente na lista de boas opções para um menu saudável. Foto: Pixabay.

Além disso, o vinho e o chocolate possuem um tipo diferente de polifenóis, chamados de flavonóides, que, segundo Spector, além de serem anti-inflamatórios e antioxidantes, têm efeitos microbianos importantes (É bom lembrar que é o cacau no chocolate que tem se mostrado bom para o intestino, não o leite e o açúcar presentes comumente nos chocolates “comerciais”). Em um estudo com 2.000 gêmeos do Reino Unido, o professor Spector e seus colegas de pesquisa descobriram que os gêmeos com os níveis mais altos de flavonóides sanguíneos de vinho e chocolate tinham “pesos menores, artérias melhores, pressão sanguínea mais alta, ossos mais fortes e menor risco de diabetes”.

Além do vinho, do café e do chocolate, o queijo também pode ser uma boa escolha no cardápio diário. Foto: Pixabay.

Queijos não pasteurizados também são boa escolha,  pois segundo o professor e cientista, eles contém uma grande variedade de micróbios, incluindo bactérias, leveduras e fungos, e centenas de espécies mais milhares de variedades conhecidas e desconhecidas. Assim, todas essas coisas que contribuem no aumento da diversidade de micróbios no nosso intestino, podem nos ajudar a levar uma vida mais saudável, com menos riscos de doenças e sem problemas com o peso.

A matéria original é publicação britânica da The Independent.

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