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Mendoza é uma viagem indicada aos amantes da alta gastronomia e de vinhos de qualidade.

Elegi a cidade de Mendoza, na Argentina, o local para comemorar o meu aniversário de 40 anos e, sinceramente, não poderia ter escolhido destino melhor: vinícolas que se confundem com oásis irrigados no deserto aos pés da belíssima Cordilheira dos Andes, restaurantes com pratos que impressionam tanto o paladar quanto a visão; e, como não poderia deixar de ser, vinhos locais das mais variadas safras e cepas a preços muito mais acessíveis do que no Brasil. Sem dúvida, uma viagem inesquecível e bastante indicada a todos amantes da alta gastronomia e de vinhos de qualidade. Razão pela qual decidi fazer não só um post, mas uma série aqui no Blog (inclusive com várias fotos no Facebook) e instigar os leitores que têm esse perfil (acredito que quase todos!). Esse é apenas o primeiro post do “Especial Mendoza”. Acompanhe:

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Em Mendoza, as vinícolas se confundem com oásis irrigados no deserto aos pés da belíssima cordilheira dos Andes

A maior concentração de vinícolas do continente – Com 160 mil hectares de vinha, Mendoza é responsável por 70% da produção vinícola da Argentina (país que é hoje o  maior produtor de vinhos da América do Sul e o quinto do mundo). A cidade possui também a maior concentração de vinícolas do continente. São mais de 1.200, das quais cerca de 120 podem ser visitadas pelo público. Elas estão localizadas em três distintas regiões vinícolas historicamente identificadas: Centro, Este e Valle de Uco. A Região Centro engloba os conhecidos municípios de Luján de Cuyo e Maipú, onde se concentra grande parte das vinícolas, como as conhecidas e grandes Catena ZapataZuccardi e Trapiche.

Em Mendonza existem mais de 1200 vinícolas. 120 estão abertas para visitação.
Em Mendonza existem mais de 1.200 vinícolas. 120 estão abertas para visitação.
Vinícola Catena Zapata em Lujan de Cuio - destino predileto de muitos brasileiros
Vinícola Catena Zapata em Luján de Cuyo: visita predileta de muitos brasileiros

Planejando as visitas – Com tanta vinícola (ou bodega como são chamadas por lá) para visitar e tanto vinho para descobrir e desfrutar, decidi entrar em contato com uma agência de turismo local para me auxiliar no planejamento da viagem. Após pesquisar em vários blogs de viagem, entre eles os renomados Viaje na Viagemdo Ricardo Freire, e Meus roteiros de viagem, do Diego Minotto, encontrei ótimas indicações e referências sobre a Nossa Mendoza, agência voltada exclusivamente para atender o público brasileiro. Decidi arriscar e fiquei impressionada com o tratamento que recebi já no primeiro contato realizado por e-mail: muita agilidade e cordialidade. Detalhe importante: a empresa é formada por uma jovem equipe de argentinos, todos têm em comum o fato de serem amantes do Brasil e da cachaça brasileira, são licenciados em Turismo, possuem experiência de mais de 10 anos na área e falam Português.

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A jovem equipe da Nossa Mendoza é formada por argentinos que amam o Brasil, a cachaça brasileira e falam português
A jovem equipe da Nossa Mendoza que me auxiliou durante a viagem é formada por argentinos que amam o Brasil, a cachaça brasileira e falam português.

Roteiro imprescindível  – Após contato por e-mail, o pessoal da Nossa Mendoza me ajudou a montar um roteiro de quatro dias super personalizado, contemplando visitas a vinícolas de pequeno, médio e grande porte (três por dia) situadas no Valle do Uco, Luján de Cuyo e Maipú, além de almoços nos melhores restaurantes dessas regiões. Todas as reservas foram realizadas diretamente pela Nossa Mendoza (até mesmo  uma degustação de vinhos da linha premium da Catena Zapata na vinícola (US$100),  um almoço no famoso restaurante da bodega Ruca Malen – eleito em 2013 o melhor restaurante de vinícolas do mundo no conceituado concurso “Global Best of Wine Tourism” (600 pesos o menu harmonizado – cinco passos) – e um jantar no intimista e concorrido restaurante Ituzaingo – que funciona “a puertas cerradas” na casa do médico e enófilo Gonzalo Cuervo e que abre exclusivamente uma ou duas vezes por semana mediante reserva antecipada (360 pesos o menu degustação – seis passos).  Não posso deixar de ressaltar aqui, que sem o apoio da agência para organizar o roteiro e as reservas, não teria sido possível aproveitar tanto a cidade de Mendoza em tão pouco tempo. Vale ressaltar que para garantir as reservas nas bodegas, o contato deve ser feito 15 dias antes da viagem com agência, que depende da disponibilidade das vinícolas.

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Degustação especial da Linha Premium da Catena Zapata na própria vinícola…
Almoço no restaurante da Bodega Ruca Malen - eleito o melhor restaurante de vinícolas do mundo...
Almoço no restaurante da Bodega Ruca Malen – eleito o melhor restaurante de vinícolas do mundo…
Jantar no intimista e concorrido restaurante Ituizango – na casa do médico Gonzalo Cuervo (foto). Sem o apoio da Nossa não teria sido possível aproveitar tanto a cidade de Mendoza.
Jantar no restaurante Ituizango “a puertas cerradas”, na própria casa do médico e enófilo Gonzalo Cuervo (foto). Sem o apoio da Nossa Mendoza não teria sido possível aproveitar tanto a cidade de Mendoza.

Locomoção – Normalmente costumo alugar carros ou usar transporte público durante as viagens ao exterior. No entanto, após ter lido em vários sites de viagem sobre a distância entre as regiões vinícolas, a falta de sinalização nas estradas e, principalmente, o fato de saber que se degusta muito vinho durante as visitas às bodegas, decidi acatar a dica dos blogs e optar por um carro com motorista. Mesmo tendo onerado um pouco mais, o custo x benefício do serviço valeu muito, pois o serviço especial de transporte é o forte da agência Nossa Mendoza (inclusive com carros novos) e eu tive de lidar apenas com uma empresa durante a viagem. Melhor ainda é que escalaram Juan Mercado para dirigir para mim e me acompanhar durante os passeios. Além de excelente e cauteloso motorista, Juan entende bastante de vinhos, pois é formado em Enologia com estágio em vinícolas não só da Argentina como da Califórnia e da Austrália. Resumo: tive “aulas de vinho” nas vinícolas e também no caminho para chegar até elas. Adorei!

Juan Mercado - Motorista da Nossa Mendoza ao lado do confortável carro utilizado para os passeios - além de dirigir bem e tranquilamente entende muito de vinho, pois é formado em Enologia.
Juan Mercado, motorista e enólogo, ao lado do confortável carro utilizado para os passeios.

Valle do Uco – O Valle do Uco está a 70 km ao sul de Mendoza, com altitude entre 1.000 a 1.600 metros, a mais alta de toda região. Devido a crise econômica de 2001, uma das mais graves da história da Argentina, muitos estrangeiros investiram na cidade e compraram terras nessa região onde a altura colabora com a boa amplitude térmica e, consequentemente, com a melhor maturação e acidez natural das uvas. Esse fato aliado ao tipo de solo da área tem gerado vinhos muito equilibrados e reconhecidamente mais elegantes nesse local. Hoje já são mais de 100 vinícolas instaladas no Valle do Uco, com 21 abertas para visitação, dentre elas: La Azul, Andeluna Cellars, Clos de Los Sietes, O. Fournier e Salentein.

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O Valle do Uco está a 70 km ao sul de Mendoza, com altitude entre 1000 a 1600 metros, as mais altas de toda região

La Azul – Com a agenda apertada devido a enorme quantidade de vinícolas que queria visitar, escolhi a pequena La Azul para conhecer no Valle do Uco. Confesso que abri mão de ir a suntuosas bodegas ali instaladas para desfrutar de uma vinícola de garagem ou de autor que produzisse vinhos com estilo próprio, e não me arrependi. Quando cheguei ao local fui recepcionada pelo próprio dono (um grande diferencial), o simples e simpático Ezequiel Fardel. Em pouco tempo de conversa, ele  fez questão de frisar, lisonjeado, que na região, o seu empreendimento é o único que ainda conta com 100% de capital argentino

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La Azul é uma imensa área de 120 hectares de produção vinífera e é uma das maiores responsáveis fornecedoras de uvas às grandes vinícolas de Mendoza.

Modelo de negócios – A La Azul tem uma estrutura extremamente simples e toda sua produção anual não chega a 80 mil litros. No entanto, fazer vinhos de garagem ou de autor é um modelo de negócios como pude perceber ao conversar com Fardel, já que a La Azul é uma imensa área de 120 hectares, das quais 100 são destinadas exclusivamente para plantação de uvas. Para fazer os vinhos da La Azul atualmente são necessários uvas de apenas oito hectares e ,todo o excedente é vendido para as grandes e renomadas vinícolas de Mendoza.

Abri mão de visitar suntuosas bodegas ali instaladas para desfrutar de uma vinícola de garagem que produzisse vinhos com estilo próprio, e não me arrependi
Abri mão de visitar suntuosas bodegas ali instaladas para desfrutar de uma vinícola de garagem que produzisse vinhos com estilo próprio, e não me arrependi
Alguns dos excelentes vinhos produzidos pela La Azul - Apenas 80.000 litros por ano
Alguns dos excelentes vinhos produzidos pela La Azul – Apenas 80.000 litros por ano

Novo empreendimento – Antes de me apresentar à vinícola, Ezequiel me convidou a conhecer o novo empreendimento da família: a Casa de Hóspedes La Azul, que fica dentro da área onde estão os vinhedos. A pousada que abriu as portas há menos de um mês, era a casa onde vivia a família Fardel. Possui seis amplos quartos, sala de estar, piscina, lounge, churrasqueira e é a única pousada da região que recebe crianças. O local é simplesmente encantador e com uma paisagem maravilhosa. Sem dúvida, uma excelente opção para quem quer aproveitar a beleza do Valle do Uco. As diárias ainda são as mais baratas por ali também e saem hoje por volta de US$200 e US$230 (com café da manhã) e as reservas devem ser feitas por e-mail.

Veja mais fotos da La Azul clicando aqui.

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Casa de Hóspedes La Azul – para quem quer tranquilidade. Localizada em meio a vinhedos e a Cordilheira dos Andes.

Almoço harmonizado – Depois de conhecer as instalações da pousada, fui almoçar no restaurante La Azul – um dos mais recomendados da região e que está localizado ao lado da pequena vinícola. O menu degustação tem cinco passos, é todo harmonizado, inclui três entradas, prato principal e sobremesa (essa eu confesso que não consegui comer de tão satisfeita que estava!) e custa 350 pesos. Destaco aqui o porco ao forno de barro (lechón). O porco fica quatro horas no forno e, por isso, a carne se desfaz na boca. Algo inexplicável!

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Um Sauvignon Blanc (60 pesos)  fresco, frutado e de boa acidez acompanhado de tortilla de Zucchini e Zanahoria (abobrinha e cenoura)
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Um Malbec (50 pesos) que é a pura expressão do Valle do Uco (bem frutado, elegante e redondo) sem passagem por barrica para acompanhar tortilla assada de queijo alcaparras, tomate seco.
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Um Cabernet Sauvignon (50 pesos) muito frutado e com toques especiados para acompanhar a empanada de carne, cebola, pimentão.
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Porco ao forno de barro (lechón). Para acompanhar uma taça do elegante e expressivo Malbec Reserva (100 pesos)
Eu e meu marido, Guilherme Penchel (fotógrafo do Blog), em uma pausa para um brinde
Eu e meu marido, Guilherme Penchel (fotógrafo do Blog), desfrutando do La Azul

Chave de ouro – O Gran Finale ocorreu dentro das instalações da pequena bodega quando Ezequiel Fardel me serviu o melhor vinho que produz (o Grand Reserva Azul blend de Malbec e Cabernet Sauvignon) diretamente da barrica de carvalho. O vinho é simplesmente fantástico, potente, intenso, frutado, com notas de frutas vermelhas maduras, tabaco, tostado e final incrivelmente prolongado. O melhor: como todo bom vinho produzido no Valle do Uco, com potencial de guarda de 20 anos ou mais. Realmente, um vinhaço de preço excelente: 250 pesos se comprado na bodega.

IMG_4733Vinícola diferenciada – Com certeza, a La Azul não é a mais bonita e nem tampouco a mais imponente das vinícolas do Valle do Uco mas, sem dúvida, é uma vinícola diferenciada. Jamais esquecerei a atenção que recebi do próprio dono e de todos os seus familiares e amigos que ali trabalham – o que fez toda a diferença nesse passeio – e pelos excelentes vinhos que lá degustei, sobretudo pelo Grand Reserva Azul, cuja garrafa adquiri para degustar em ocasião ímpar rodeada de amigos especiais.

Ezequiel Fardel, proprietário da La Azul, e sua mãe Shirley Hinojosa, administradora da Casa de Hóspedes - recepção muito afetuosa
Ezequiel Fardel, proprietário da La Azul, e sua mãe Shirley Hinojosa, administradora da Casa de Hóspedes – recepção muito afetuosa
Reservada para uma ocasião ímpar ao lado de amigos especiais
Reservada para uma ocasião ímpar ao lado de amigos especiais

Leia também:

Especial Mendoza: Luján de Cuyo, a terra do Malbec (parte II)

Especial Mendoza: visitando Maipú, a primeira zona dos vinhos (parte III, última)

Veja mais fotos da La Azul clicando aqui.

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