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Confraria Franciscana - Sommeliers, enófilos e empresários da área de vinho e de gastronomia de Brasília degustando os shiraz do mundo
Confraria Franciscana – Sommeliers, enófilos e empresários da área de vinho e de gastronomia de Brasília degustando os shiraz do mundo

Como já falei aqui no blog, participar de confrarias é a melhor maneira de aprender sobre vinhos e fazer amizades (relembre aqui). Dia desses, na Confraria Franciscana, que reúne sommeliers, enófilos e empresários da área do vinho e da gastronomia de Brasília no restaurante Dom Francisco (402sul), tive a oportunidade de participar de uma degustação às cegas (aquela que a gente bebe o vinho sem visualizar o rótulo) só de vinhos da uva Syrah/Shiraz. Ao todo, foram degustados 11 vinhos de oito países diferentes: Brasil, Argentina, Chile, Marrocos, África do Sul, Nova Zelândia, Estados Unidos e Austrália – Infelizmente, faltaram na degustação os maravilhosos vinhos do Vale do Rhône na França. Uma pena! Quem sabe na próxima fazemos uma degustação Norte X Sul do Rhône para reparar a falha? – Bem, de toda forma, o resultado da degustação foi muito interessante com duas grandes surpresas.Confira:

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Foi interessante saber que Minas Gerais é capaz de produzir um Syrah tão interessante quanto complexo em aromas e sabores.

Surpresa mineira – A degustação às cegas é uma excelente maneira de treinar a memória olfativa e gustativa. No entanto, a gente se surpreende muitas vezes nesse tipo de degustação e percebe o quanto a ausência de informações de um rótulo pode ser capaz de aguçar a nossa percepção e até de quebrar paradigmas. Assim, a grande surpresa do evento foi saber que o que eu achava se tratar de um vinho marroquino (ou mesmo um sulafricano) “intenso no nariz e complexo na boca, que alternava toques de mineralidade (gostinho salgado mesmo) com suaves toques adocicados e de especiarias” era, na verdade, um Syrah brasileiro 2010, bem mineirinho, lá de Três Corações, chamado Primeira Estrada. Não passou mesmo pela minha cabeça – e nem na de nenhum dos confrades que degustou o vinho – que a bebida fosse proveniente das Minas Gerais. Foi realmente uma grata surpresa saber que aquele estado é capaz de produzir um Syrah tão interessante, complexo e equilibrado.  Pesquisando, descobri que a garrafa desse vinho é comercializada por R$78 no Brasil e em restaurantes chega a custar R$100. Não é muito fácil encontrar esse vinho por aí. Quem tiver interesse  sobre os pontos de venda deve acessar o site da vinícola Estrada Real, responsável pela fabricação do vinho.

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Kankana da região desértica do Elquí no Chile – Me lembrou um bom Shiraz encorpado da Austrália.

Surpresa do deserto – Havia ouvido falar que o Syrah do desértico Valle do Elquí, no Chile, era diferenciado. Ao experimentá-lo comprovei que isso é um fato. Mesmo em uma degustação às cegas, esse vinho (que só ao final da degustação soube que era o Kankana Del Elqui, da Vina San Pedro) foi capaz de se destacar dos demais por ser bastante volumoso em boca, ter boa estrutura, ser equilibrado e, principalmente, por seus ligeiros aromas e sabores de tabaco e até notas de chocolate. Na verdade, eu só identifiquei que era um vinho do Chile por conta do aroma e do sabor típico de pimentão verde, bem característico dos vinhos chilenos, mas confesso que me lembrou muito um bom Shiraz encorpado da Austrália. Em outra oportunidade, vou degustar esse vinho com mais calma pra comprovar se minhas impressões foram realmente corretas, pois gostei demais dele. Quem traz esse vinho para o Brasil é a Interfood e ele é distribuído pela Art Du Vin (QI 03 -D -15 – Lago Sul Brasília-DF) por R$180 ou pelo email: marcosvinos74@gmail.com.

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Dez dos 11 vinhos degustados às cegas. Foto: Rafael Costacurta

Curiosidade: shiraz ou syrah? – Trata-se da mesma uva. O termo Shiraz, no entanto, é utilizado na Austrália. Esses vinhos são mais exuberantes, frutados, com mais corpo, notas de couro e chocolate e mais álcool. O termo Syrah, utilizado no resto do mundo, indica normalmente que o vinho é também mais elegante, apimentado e mineral. No Chile, é comum usar os dois termos, sendo cada um para o respectivo estilo.

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