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Vivino

Então, vou começar esse post confessando logo que nunca fui adepta ao Vivino. Há uns quatro anos, quando começou o “boom” do Vivino aqui no Brasil, até cheguei a baixar o aplicativo no meu celular, mas como não gostei muito, acabei deletando quando precisei de espaço para armazenar minhas próprias fotos de vinho, que, no caso, eram mais importantes.

O fato é que independentemente do que penso, o Vivino está aí. E há quem não viva sem ele. Fato, inclusive, que gerou essa pauta, sugerida por uma amiga enófila e dona de restaurante, que não se conforma em ver os clientes deixando de apreciar um vinho por conta das notas do app.

Na verdade, sou bem a favor das mídias sociais e de toda essa modernidade tecnológica que nos rodeia, principalmente, por serem democráticas. O problema, no entanto, surge quando o assunto é vinho. E, principalmente, quando percebo que as pessoas deixam de lado uma grata oportunidade de, por si só, descobrirem o que determinado vinho tem para oferecer em razão das poucas estrelinhas demonstradas no app que, diga-se de passagem, pode ser um grande equívoco, principalmente quando se trata de vinhos poucos conhecidos e avaliado por uma minoria que pouco ou nada entende do assunto.

Está certo que um ponto positivo do Vivino é poder armazenar fotografias e percepções pessoais. É legal fazer isso sim e interessante ter um espaço pra arquivar e até divulgar uma opinião. O problema é quando essa opinião impede que outros também tenham uma opinião própria. E, cá pra nós, é isso o que acontece.

É comum encontrarmos no Vivino um vinho simples e popular com (desmerecidamente) quase cinco estrelinhas e um vinho de autor pouco conhecido com duas, três estrelas. Pior é saber que cegamente muitos consumidores preterem esse último em razão dessa pontuação, feita, na maioria das vezes, sem nenhuma técnica e simplesmente na base do “gostei” ou “não gostei”.  Afinal, claro, muitos desses “sommeliers virtuais” não conhecem sequer uma ficha de degustação e não sabem nem distinguir a diferença de acidez para a adstringência dos taninos.

E o que, na prática acontece é que com base nas estrelas você é induzido a “levar gato pro lebre” simplesmente porque outras pessoas que provaram o vinho antes de você gostaram dele.

Outro aspecto que me incomoda no Vivino são os valores apresentados. Dia desses em uma loja de vinhos ouvi a cliente reclamar para o vendedor que estava sendo roubada, pois o preço que o Vivino mostrava era bem mais barato. Ok, ok. Só que elase esqueceu de um detalhe. O Vivino não é uma fonte oficial de preços e pra piorar muitas vezes os vinhos cadastrados ali são precificados em diversas moedas. Porém não é segredo pra ninguém que os vinhos cotados nos EUA ou na Europa, em dólar e euro respectivamente, são muito, mas muito mais baratos do que os cotados aqui no Brasil em Real, carregados de uma enorme carga tributária.

Enfim, para mim quem usa o Vivino com frequência para comprar ou deixar de comprar vinhos perde uma grande oportunidade de aprender mais sobre a bebida.

Afinal, não tem mistério. Aprender sobre vinhos é reparar em cada sensação tanto no nariz como no paladar. É exercitar o cérebro mesmo. A memória. E Ainda que no começo pareça algo difícil, a prática (e somente a prática da degustação feita com atenção) mostrará se um vinho é tecnicamente bom. Enfim, seguir as estrelas do Vivino pode atrapalhar de verdade que você encontre por si só um vinho brilhante.

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