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Rachel Alves se destaca no cenário enogastronômico do Distrito Federal
Rachel Alves se destaca no cenário enogastronômico do Distrito Federal

Rachel Alves é uma mulher que se destaca no cenário enogastronômico brasiliense e é presença certa nos principais eventos da área que acontecem na cidade. Não é para menos, ela possui os títulos de sommelière e de juíza internacional do vinho pela Fisar – Federacione Italiana SommelierDelegazione del Piemonte/Italia, pela Associação Brasileira de Sommeliers/ Brasília e pela Wine and Spirits Education Trust (WSet Awards) – Londres. Além disso, é professora das disciplinas “Serviço do vinho” e “Enogastronomia”  no curso de Gastronomia do Centro Universitário de Brasília (Uniceub), consultora em estabelecimentos comerciais e presidente da Seção Brasília da Confraria Amigas do Vinho. Nessa entrevista, ela fala sobre a relação vinho e mulher no cenário brasileiro (tanto de consumo como de atuação profissional) e sobre sua experiência de presidir uma confraria formada exclusivamente por mulheres.

Blog – Segundo uma pesquisa realizada na Inglaterra e conduzida pela Vinexpo, uma das maiores feiras de vinho do mundo, oito em cada dez garrafas de vinho são compradas por mulheres. Você considera que essa constatação está perto de se tornar realidade no Brasil também? Por quê?

Rachel – Sim. Estamos quase superando o número de participantes masculinos nas feiras, nas adegas, nas degustações dirigidas, enfim, nos eventos ligados ao vinho. Esta constatação vem, inclusive, da Confraria Amigas do Vinho, que tem hoje mais de 8.000 mulheres cadastradas.  Em quase todas as vinícolas do “novo mundo” as mulheres são maioria na elaboração dos vinhos e nas vinícolas do “velho mundo” elas estão marcando presença, especialmente nas vinícolas das próprias famílias.  Isso se deve ao aguçado olfato e paladar, afinal, dizem que a mulher usa o cérebro mais intensamente do que os homens, quando se dedicam a tarefas de cheirar e degustar.

 Blog – Muitos afirmam que vinho de mulher é o vinho mais adocicado ou, no máximo, o vinho fácil de beber, isto é, sem muita complexidade de aromas e sabores e com baixos taninos . O que você pensa a esse respeito: “rótulo” ou “fato”? Por quê?

Ai que pergunta… (Risos) Definitivamente é um rótulo. Até falo para meus alunos que “mulher não gosta de vinho docinho”, mulher gosta de vinho bom! Gosta de vinho que tem um custo-benefício honesto; gosta de vinho que tem valor agregado… Pode até ser que, quando a mulher envereda por esse caminho, ela prefira um vinho mais adocicado (um moscatel, um lambrusco). Mas quando ela “apura” o paladar e começa a degustar outros vinhos, ela percebe a mudança e fica mais exigente. Daí em seguida, os vinhos insossos, muito doces, sem aromas e sem taninos já são descartados. Agora, quando se trata de vinhos doces, os vinhos de sobremesa mesmo, como os de colheita tardia, vinho botrytizado, Vin Santo etc, estes, sim, encerram com muita elegância uma refeição e não há mulher que o resista.

 Blog – No último dia 07 de agosto você foi convidada a participar da degustação e escolha dos 11 melhores rótulos nacionais do evento Vinum Brasilis 2013 – edição Brasília. De 14 jurados, apenas três eram mulheres. Acredita que são poucas as profissionais da área ou que, ainda, existe preconceito no setor?

A diferença aqui foi muito grande mesmo, mas por falta destas profissionais em Brasília e não por preconceito dos organizadores. Se aqui fosse um polo produtor de vinhos, a realidade seria outra, teríamos mais mulheres envolvidas, como é o caso do Vale dos Vinhedos e de Flores da Cunha, ambos no RS. Por lá, observamos  que em todas as vinícolas têm mulheres trabalhando, seja  na produção, na comercialização, na administração das vinícolas. Podemos citar as várias enólogas de destaque nacional que vêm elaborando vinhos maravilhosos, vinhos diferenciados.

 Blog – De modo geral, qual o perfil da mulher brasileira que atua na área de vinhos?

Rachel – A mulher que aprecia o vinho é aquela do perfil da confreira: inteligente, independente, pró-ativa, formadora de opinião e com alto poder aquisitivo. A mulher que trabalha com o vinho é, acima de tudo, aquela desbravadora, que está aí no mercado de trabalho competindo com os homens de igual para igual. Com o slogan “no céu cabem todas as estrelas”, nós da Confraria Amigas do Vinho acreditamos que há espaço para todas as mulheres no mundo do vinho, seja vendendo, comprando, degustando, estudando ou mesmo elaborando.

Blog – Você preside, em Brasília, a Confraria Amigas do Vinho. Como é presidir uma confraria formada exclusivamente por mulheres?

Como diz Maria Lúcia, fundadora da Confraria, “É doce, mas não é fácil”.  Presidir um grupo tão grande e com os mais diversos perfis é um desafio, é gratificante, é muito trabalho, é muito bacana e muita responsabilidade. Noto uma cumplicidade muito grande entre as confreiras. Afinal, os encontros da Confraria formam intensos e produtivos debates, networking pessoal e da atividade fim de cada confreira, intercâmbio cultural e educacional, fortalecimento dos laços de amizade, sentimentos e respeito e, acima de tudo, divulgação do vinho.

Blog – Qual o objetivo desta confraria e quais as exigências para tornar-se uma confreira da Confraria Amigas do Vinho?

A Confraria Amigas do Vinho completou 10 anos de fundação com adesão de mais de 8.000 mulheres pelo mundo afora. Em Brasília a inauguração aconteceu no dia 08 e novembro de 2005. Ano passado inauguramos a ala jovem da Confraria e a maioria das meninas são estudantes de direito com, no mínimo 18 anos de idade. A sede da Confraria é no Rio de Janeiro, mas cada estado do Brasil tem sua Seção onde as confreiras estão sempre se organizando em encontros para conhecimento e degustação de bons vinhos, sempre em um ambiente diferente com pratos e vinhos inéditos. Toda comunicação da Confraria é via e-mail ou pela FanPage no Facebook. A ideia é conhecer, divulgar e, claro, degustar vinhos.

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