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Etiene Carvalho, Blog Vinho Tinto, ao lado do enólogo Michel Friou
Etiene Carvalho, Blog Vinho Tinto, ao lado do enólogo do Almaviva Michel Friou

De um acordo inédito selado em 1997 entre a empresa francesa Baron Philippe de Rotschild e a gigante chilena Concha y Toro surgiu um dos vinhos mais emblemáticos do Chile – o Almaviva. Produzido a partir de um terroir excepcional principalmente para Cabernet Sauvignon (Puente Alto, localizado na parte mais alta do Maipo) e vinificado sob a supervisão do criterioso enólogo francês Michel Friou, o Alma Viva pode ser resumido como um vinho franco-chileno elegante, complexo e com grande capacidade de guarda. Em termos de qualidade pode ser comparado aos grandes vinhos produzidos por renomados châteaux franceses.

Não é à toa que o Alma Viva foi o primeiro vinho fora de Bordeaux a integrar o seletíssimo circuito de comercialização dessa região francesa de onde, junto de outros ícones bordaleses, parte pelas mãos dos negociánts para diversas partes do mundo.

Almaviva
Almaviva – primeiro vinho fora de Bordeaux a integrar o seletíssimo circuito de comercialização dessa região francesa

Mercado

Por mais incrível que possa parecer, as garrafas de Almaviva que chegam ao Brasil oficialmente para serem comercializadas também são provenientes de Bordeaux e não do Chile – algo que torna o vinho ainda mais caro, não apenas pela logística, mas pela carga tributária. A venda do vinho a partir da França, e não do Chile, é uma estratégia comercial das duas famílias responsáveis pelo Almaviva. O aumento do preço, nesse caso, pode até atrapalhar as vendas no Brasil, mas favorecem a sua  distribuição e reputação internacional. Desde sua origem, o Almaviva tem sido reverenciado por pessoas de diversas partes do mundo, mas atualmente é a Ásia (Hong Kong, Taiwan, Cingapura, China e Japão) o principal mercado consumidor desse vinho, que, na maior parte das vezes, também ingressa no Brasil pelas malas dos turistas que visitam o Chile.

Almaviva

Almaviva
Kultrun estampado no rótulo – tambor da civilização Mapuche que simboliza a Terra e o Cosmos.

Apesar do nome Almaviva parecer espanhol, ele, na verdade, é proveniente da literatura clássica francesa, numa referência ao Conde de Almaviva – herói das bodas de Fígaro – famosa comédia de Beaumarchais, que foi transformada em ópera por Mozart. Por outro lado, no rótulo do Almaviva há uma homenagem aos ancestrais chilenos com uma imagem que lembra o Kultrun, tambor da civilização Mapuche que simboliza a Terra e o Cosmos.

Corte Bordalês

Desde sua primeira safra até os dias de hoje, a Cabernet Sauvignon é a uva predominante no corte do Almaviva, seguida pela Carménère. Também há percentagem de Cabernet Franc em quase todas as safras e de Merlot em algumas. A Petit Verdot foi inserida no corte em 2010, dando uma expressão ainda mais bordalesa ao vinho que estagia apenas em barricas novas de carvalho francês das melhores tonelerias.

Degustação em Brasília

Chef Marcelo Petrarca, do Bloco C, e o enólogo Michel Friou
Chef Marcelo Petrarca, do Bloco C, e o enólogo Michel Friou

Em evento no restaurante Bloco C em Brasília, organizado pela assessoria de imprensa Cristina Neves, foi realizado o lançamento oficial da safra 2017. Na ocasião também foi possível degustar as safras 2007 e 2016 do vinho. O menu da noite foi assinado pelo Chef Marcelo Petrarca e o ponto alto do evento foi a participação especial do próprio enólogo do Almaviva, o francês Michel Friou,  que conduziu a degustação explicando em detalhes as características de cada vinho e fornecendo detalhes sobre a vinificação. Confira:

Almaviva 2017

Almaviva 2017
Almaviva 2017

Este vinho ficou entre os “Top Ten” na lista da renomada Wine Spectator. Além disso também recebeu 100 pontos do crítico James Suckling. “É um vinho mais opulento e intenso”, revela Friou. A safra de 2017 foi quente e a rega foi administrada de modo criterioso. A colheita foi realizada duas semanas antes do previsto e a quantidade de uvas colhidas também foi menor. “Isso trouxe maior concentração e qualidade, resultando em um vinho poderoso, complexo e com um nariz repleto de frutas maduras”, resume o enólogo. Particularmente, achei o vinho bem opulento em boca e com notas de café, pimenta e algo terroso. Também mostrou taninos extremamentes refinados. O corte deste vinho conta com 65% Cabernet Sauvignon, 23% Carménère, 5% Cabernet Franc, 5% Petit Verdot e 2% Merlot. Ao todo foram 19 meses estagiando em barricas novas de carvalho francês. Em média, o vinho custa R$1.200,00.

Almaviva 2016

“Neste ano tivemos um Almaviva diferenciado”, revelou Michel Friou. Ao contrário dos demais vinhos, o Almaviva 2016 teve menos densidade, porém muito frescor e um final menos doce. O verão foi quente e seco, mas choveu muito nas outras estações. Este vinho foi uma verdadeira surpresa para o enólogo, e acabou agradando muitos críticos exigentes. No nariz ele tem frutas vermelhas e negras frescas, como amora e mirtilo, tem notas de toffe e café bem integradas. Na boca é redondo e fresco, mas sem dúvida tem menos peso que os demais Almaviva que já degustei. É composto de 66% Cabernet Sauvignon, 24% de Carménère, 8% de Cabernet Franc e 2% de Petit Verdot. Estagiou 16 meses em barricas francesas novas. Preço médio: R$1560,00.

Almaviva 2007

Alma Viva 2007 - excepcional!
Alma Viva 2007 – Excepcional

Para mim o melhor dentre todos os degustados. Sem dúvida, é uma prova viva da excelente capacidade de envelhecimento do Almaviva. No nariz mostra frutas negras, violeta, baunilha, café e pimenta preta. Na boca, é redondo, macio e apresenta alguns toques de evolução mesclados com acidez e frescor diferenciados. Segundo Friou, 2007 foi uma colheita histórica no Chile. “O ano foi muito equilibrado com dias quentes e frios. O resultado foi um vinho repleto de frescor, maturidade e taninos finos”, sintetizou.  O corte do vinho: Cabernet Sauvignon (64%), Carménère (28%), Cabernet Franc (7%) e Merlot (1%). O vinho estagiou 18 meses em barricas francesas novas. O preço oscila, mas normalmente é vedido entre R$2000,00 e R$2500,00.

Clique aqui e leia entrevista exclusiva do enólogo Michel Friou para o Blog Vinho Tinto.

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